Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

29
Jun 12

29 de Junho de 2011

A dinâmica da história da cultura deveria aconselhar as vontades políticas. Basta pensar em Nova Amsterdão ou em Olinda, lá para os lados do Recife, com a técnica da fundação de São Paulo...de Luanda. Foi a vitória em Aljubarrota que nos permitiu navegar e fugir da Guerra dos Cem Anos e foi 1640 que fundou o Brasil.

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José Adelino Maltez partilhou uma nota através de José Manuel Quintas.

29 de Junho de 2011

A geopolítica tem um grave problema: grafita tudo em planisfério. Se pusermos esse mapa em esfera e lhe dermos mar, poderemos reparar que, medindo a distância pelo pôr do sol, estamos bem mais próximos da velha aliança céltica, com as ilhas britânicas e com grande fluidez atlântica, à maneira dos Países Baixos...

"É a hora!"

 

Como é que no “hegemon” americano se vê o futuro da Europa?

Parece-me que as assumpções básicas deste mapa estão, no essencial, correctas: os actores-chave nesta península da Eurásia são a Alemanha, a Polónia, o Reino Unido e a França; a...

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29 de Junho de 2011

A nova fronteira desta Europa. O directório que nos rege tem um curto intervalo para restaurar a esperança. Portugal está metido nesse intervalo. O Verão vai ser bastante quente.

Grécia aprova mais austeridade, gregos explodem nas ruas - Notícia Sapo - SAPO Notícias

noticias.sapo.pt

Dentro do Parlamento grego os deputados aprovaram novo pacote de austeridade que evitará que a Grécia entre em bancarrota. Nas ruas, os gregos “indignados”, envolvem-se em fortes confrontos com a polícia.155 deputados aprovaram esta tarde o plano de austeridade apresentado pelo Governo socialista, n

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José Adelino Maltez

29 de Junho de 2011

Pobre universidade quando deixa de ser "universitas scientiarum" e se degrada em sucessivas escolas de regime coligadas com outras tantas empresas de regime, e todas enredadas pela dedução cronológica e analítica de quem tem o decretino de definir que não há ciências, mas apenas a sua ciência, quando esta deixa de ser com-capta (de conceito) e passa a ser pré-capta (de preceito).

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José Adelino Maltez

29 de Junho de 2011

Por outras palavras, e em emergência sarcástica, o programa de governo não passa de um programa à procura de autor, apesar de muitos actores embevecidos e dos auditores passivos que o têm de pagar, mesmo que ele, com tantos algoritmos, não esteja minimamente quantificado, até em termos cronográficos e de previsão de planos B, com GPS avariado pelo desaparecimento das condições propícias da balança da Europa!

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José Adelino Maltez

29 de Junho de 2011

Os requintes de arte "naïf" que emergem da secção agrícola do programa para uso do Portugal dito profundo contrastam com o sentido técnico consolidado de alguns "clusters" da inovação, da ciência ou da política do mar, embora a parte do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria ainda não atinja o nível republicano do Fomento, ou da geração que nos integrou na EFTA e, consequentemente, na Europa

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José Adelino Maltez

29 de Junho de 2011

Não é por acaso que a parte mais fluente do programa está nos negócios estrangeiros, a mais convicta, embora fragmentária, na justiça, e a mais sintética e contida na defesa dita nacional, embora a palavra Europa só apareça seis vezes, até na comparação provinciana de, em saúde, alcançarmos "os melhores da Europa".

publicado por José Adelino Maltez às 22:25

27
Jun 12

27 de Junho de 2011

Partidos, há tanto tempo na oposição, deveriam ter uma ideia, sector a sector, e um programa com programas. Essa de na véspera fazerem estados gerais com independentes ou novas fronteiras com propaganda é má conselheira. E de se julgar que esta tudo em dois ou três livros de autor, com folclórica apresentação em jogos da taça das cidades com feira pode levar a autogolos, mesmo que seja em canto directo...

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Porque num sistema termicamente isolado, todas as mudanças espontâneas se fazem num sentido irreversível. Há, pois, aumento da entropia, isto é, da involução do sistema (princípio da degradação da energia). Mais simplesmente, este princípio exprime a tendência, que todo o sistema tem, para evoluir para estados de maior probabilidade.

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Para Teilhard de Chardin, a entropia é o nome dado pela física a esta queda, aparentemente inevitável, em consequência da qual os conjuntos corpusculares (sedes de todos os fenómenos fisico-químicos) passam, em virtude de leis estatísticas de probabilidade, para um estádio médio de agitação difusa, estado em que cessa toda a troca de energia útil, na escala da nossa experiência.

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

A lei da entropia foi descoberta por Rudolf Clausius nos finais do século XIX, traduzindo a existência de uma nova grandeza variável da energia... a quantidade de energia que, sendo gasta numa mudança, é irrecuperável pelo sistema e fica para sempre na zona do desperdício no balanço da energia do Universo.

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Governar não é "uma sequência finita de instruções bem definidas e não ambíguas, cada uma das quais pode ser executada mecanicamente num período de tempo finito e com uma quantidade de esforço finita" (definição wikipediana de algoritmo).

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Não gosto de expandir intuições imediatas, mas dentro de mim já se formou uma convicção sobre o tempo de vida deste governo e do que lhe vai suceder. Vamos ter grande coligação com o PS, tenho a certeza, o quando depende de campeonatos diversos da política doméstica. O tipo de escolhas dominantes nos secretários de Estado, entre tarimbeiros no lastro e velas quixotescas ao vento, serve para a bolina, mas não dá rota.

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

A minha tribo aqui do FB, apesar de inúmeros apoiantes de Passos, não teve direito a um só escrutínio ascensional em direcção ao Terreiro do Paço. Ainda bem: assim posso continuar a dizer coisas a que eles não estão habituados, ao contrário do que acontecia com a outra face rotativa deste situacionismo.

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27 de Junho de 2011

Marcelo Rebelo de Sousa lá fez uma das suas...

Bernardo Bairrão fora do novo Governo | Económico

economico.sapo.pt

Críticas à privatização da RTP terão levado Passos Coelho a vetar o nome do antigo administrador da Media Capital. | Notícias sobre economia actualizadas ao minuto, informação de mercados, empresas e política, vídeos diários, opiniões de analistas e especialistas

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

É evidente que não é das rápidas análises das autocontemplações curriculares que podemos fazer adequada avaliação no imediato. Vai ser mais interessante o escrutínio a que irão estar sujeitos. Especialmente pelos opositores que sofreram esse tipo de exame e que moverão intensamente o bisturi da informação privilegiada para a adequada vindicta...

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Esperemos que os chefes deste governo sejam mais como o Paulo Bento. Entram logo a jogar no risco, sem prévio treino. Esperemos que saibam ser equipa de todos nós. Infelizmente estamos muito dependentes dos jogos dos outros.

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Um grande abraço ao Daniel Campelo. Até por causa da coragem do queijo limiano. Mas sobretudo porque sempre teve o mesmo partido dos agrocratas. Acredita mesmo na missão de fé profissional!

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Ainda bem que há quem tenha a coragem de arriscar no serviço público. Temo que, depois da mobilização do estado de graça, a promessas sejam vencidas pela habitual força da inércia, como já se tornou patente com o número e a estrutura dos novos governantes. Só há instituições com ideias de obra que precisam de ser previamente trabalhadas com fé e humilde estudo

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Há um núcleo duro de grande qualidade, como nunca deixou de existir, até com Sócrates, mas torna-se evidente a nossa falha na formação de elites de Estado, principalmente em grandes escolas de quadros dos próprios partidos. Nada de novo nesta frente da direita. Está como a revogada frente de esquerda.

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Aí está, novo governo, já inteirinho. Menos meia dúzia, em quantidade, que o anterior. Quase o mesmo em qualidade. Excelentes currículos na minoria, óptimos activismos partidocráticos e empresariais na maioria. Naturalmente, vão, muitos, esta noite alterar o facebook, para que não fiquem ligados a "interesses" como o "nespresso" e o respectivo líder...

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José Adelino Maltez

27 de Junho de 2011

Há maçons que são deputados e ex-deputados de várias obediências maçónicas. E outros tantos que se celebrizam por declarações antimaçónicas. Sobretudo se estiverem à esquerda. Daí voltarem à ribalta com um problema de falsa consciência, para uso de suas desventuras no PS e no PSD: também a não-eleição de Nobre foi uma derrota da maçonaria. Volta, José dos Santos Cabral, estás perdoado!

gover  mais importante do que o perfil dos ministros é "a capacidade de resistência que irão demonstrar" (JAM, Público, hoje)

 

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José Adelino Maltez

24 de Junho de 2011

Basta recordar que um dos gritos reivindicativos do 28 de Maio de 1926 foi a criação das províncias, que era então um nome equivalente ao da regionalização. Nem em ditadura o conseguiram, conforme o belo relatório dito "Reforma Administrativa" emitido, depois, pelo Ministério do Interior. Porque iriam para a desertificação as cidades de província que perdessem os serviços do governo civil...

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José Adelino Maltez

24 de Junho de 2011

Depois, Costa Cabral, com o despotismo dito democrático do controlo eleitoral, a corrupção e o centralismo, gerou o facto consumado que ainda não foi possível lancetar, gerando-se sucessivos absolutismos de facto de variados e contraditórios regimes e do equilíbrio capitaleiro de forças vivas que degeneram as democracias...

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José Adelino Maltez

24 de Junho de 2011

Quem fez os distritos não foi o Mouzinho da Silveira, mas o Rodrigo da Fonseca em pleno devorismo, quando inventou uma estrutura de compra dos opositores através da "mesa do orçamento" para que todos passassem a alegres convivas com os impostos do povo, dando satisfação à política de empregadagem do Estado Moderno...

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José Adelino Maltez

24 de Junho de 2011

Os tais distritos, formalmente provisórios desde a Constituição original de 1976, resistem e persistem por uma simples razão: os partidos que se oligarquizam eleitoralmente para as listas eleitorais, donde vem a principal matriz dos pequenos poderes domésticos e caciqueiros, bem mais importantes do que os governadores nomeados.

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José Adelino Maltez

24 de Junho de 2011

António Barreto denuncia a lei que regula a instabilidade nomeativa dos altos cargos da administração pública, sem dúvida a principal fonte de clientelismo, aguardando pela atitude do novo situacionismo, apar sabermos se o devorismo rotativista vai ou não continuar.

publicado por José Adelino Maltez às 22:23

31
Dez 11
Em Portugal, quem está no poder são os mesmos de sempre: os antigos feitores e capatazes que a cenoura e o chicote salazarentos nos legaram, entre as malhas que o império teceu e entreteceu e os partidos que a pós-democracia pariu, com a rede neofeudal de patronos e encomendados, ditos curadores, conselhos gerais e comissões de honra, entre júris, prémios de carreira e personalidades do ano da casa dos segredos, os que vão gerindo a teia que alguns inocentes úteis, muitos medalhados e outros tantos prebendados vão qualificando com os velhos estigmas inquisitórias das novas teorias da conspiração.
Porque anda meio mundo anda ao serviço do outro, os que andam de pé atrás enredam-se com os que andam em bicos de pés e quem se lixa é o remediadinho, que é o nome portuguesinho para o pobre do impostado, quando é manifesto que o rei do estadão vai nuzinho e em pelota, com suas vergonhas naturais já sem a parra protectora.
publicado por José Adelino Maltez às 20:03

30
Dez 11

O estadão de consciência tranquila, quando porta a voz do senhor ninguém.

 

Dizia Mao, o Tse Tung, que Portugal foi o único povo europeu que se estabeleceu na China sem lhe fazer guerra. Apesar de Pequim ser humilhado por ocupações, guerras e tratados desiguais, eles nunca deixaram de ser chineses, de pensar chinês, de viver chinês. Até transformaram o marxismo-leninismo em confucionismo. Logo, o meu patriotismo, se eu for antigo, mas não antiquado, afundacionado ou casinado, não fica humilhado com a compra da EDP e do BCP. Entre o capitalista do Império do Meio e o Xico Gaioleiro, prefiro o mais civilizado.

 

Governo de Espanha repete Passos, tal como este repetiu Sócrates, sobre os desvios colossais e imprevistos, dos anteriores governos. Madrid, no entanto, começa por diminuir em 20% a subvenção públicas a partidos e sindicatos. Para além de apenas congelar o que aqui se diminuiu.

 

Habituemo-nos a descodificar a novilíngua encriptada do aparente dono de mais poderes internos. Mas precisamos de muitos séculos de estudo para lá chegarmos. O melhor conselho é repararmos na nossa dimensão de pulga face ao elefante. Como diria o outro, há séculos, os tugas são esquisitos, comem pedras (o pão) e bebem sangue (o vinho). Até achavam estranho ainda comermos com as mãos, na era do pré-garfo, quando eles já usavam os pauzinhos...

 

Imaginemos um sítio dos traseiros do mundo onde se juntou o pior do socialismo e o pior do capitalismo. É o do casino deste hotel. Está à espera de um bom gestor. E podemos hospedar lá para sempre os psicopatas sentenciadores das direitas e das esquerdas mais estúpidas do mundo. As dos mercenários que chamam inteligência à filosofia da traição. Já falo confucianamente encriptado.

 

Dizem-me que a UNESCO vai vetar a nova lei das rendas. Porque o congelamento destas faz parte do património imobiliário da humanidade. Ainal, é anterior às aparições de Fátima e à revolução bolchevique.

 

Afinal Cristas é apenas ministra dos arrendamentos.

 

Dizem-me que a UNESCO vai vetar a nova lei das rendas. Porque o congelamento destas faz parte do património imobiliário da humanidade. Ainal, é anterior às aparições de Fátima e à revolução bolchevique.

 

Depois de ouvir a senhora ministra, apenas quero dizer uma coisa que ela não teve a coragem de proclamar: a nossa Constituição tem de proclamar o direito à felicidade, com a exigência mínima de um amor e uma cabana. Sobretudo com o sonho de "aquela janela virada pró mar".

 

Tanto paleio sobre a lei das rendas quando apenas de trata de uma exigência do memorando da troika, negociado pelo governo PS e adicionalmente subscrito pelo PSD e pelo CDS.

publicado por José Adelino Maltez às 20:05

29
Dez 11

Há ilustres hierarcas que hoje constituem o espelho da nação, cujos currículos são os melhores reveladores da banalidade do bem que faz caricatura da falta de sentido de serviço público em que nos vamos degradando. Esta farsa ambulante de criadores de eventos que geram sucessivos perfis e cartões de visitas, com muitas assessorais governamentais, ministeriais, culturais e autárquicas, sempre à custa da mesa do orçamento, seriam anedota saborosa no tempo do cavar batatas e do ensinar a minhoca a pescar. Agora, os emplastros apenas causam vómito.


Dei uma saltada aos nossos livreiros "on line" e confirmei que o meu "Abecedário Simbiótico" está na estante da "Religião, espiritualidade e auto-ajuda". São simpáticos. Até poderiam dar um novo nome à coisa, o de bruxaria e ciências ocultas, na estante da geometria. Se o prefácio fosse de um marinheiro, iria, naturalmente, para a secção de "Desertos e alpinistas".

 

Anuncia-se a transferência de vários vassoureiros ortodoxos do Belenenses para equipa dos cristãos nigerianos. Noutro dia, numa das nossas televisões, estes nigerianos eram reduzidos a católicos, tal como as reportagens de 25 de Dezembro sobre as comemorações do Natal cristão em Atenas e Moscovo. A ignorância manifestada pelos tradutores de telegramas internacionais em matéria religiosa é um verdadeiro susto e o principal motivo para ressurgências fundamentalistas. É que nem sequer se dão ao respeito com tanto etnocentrismo...

 

Este tempo de descanso, somado ao escasso tempo de descanso que os deputados tiveram no Verão, ainda não perfaz um tempo anual normal de descanso. Foi só por isso que o Parlamento parou: todos estávamos a precisar de descansar um pouco. Não vamos estar com demagogias e dizer que fomos fazer outras coisas. Fomos descansar e usar o descanso a que temos direito.

 

Atingimos a dimensão etimológica da histeria grega, conforme o preconceito machista de chamar à coisa "útero na cabeça". Isto é, se fosse tecnicamente possível um golpe de Estado, todos sorririam se ele se desencadeasse, incluindo os que por ele fossem decapitados. Odeio tanto a putrefacção como um acto de violência pré-político. As decadências, como esta, têm, pelo menos, uma vantagem: permitem que alguns se arrependam da cobardia da abstenção cívica com que se desleixaram. Eu quero apenas correr o risco de o declarar e de prever que a decadência ainda vai durar muito tempo.

publicado por José Adelino Maltez às 20:09

28
Dez 11

O primeiro chinês que conheci, era eu menino, foi na esquina da Praça Velha, em Coimbra. Vendia glavatas na rua e devia ser mais velho que o último imperador. Os mais recentes já não têm os olhos em bico. Mas continuam a investir no longo prazo, como as pedras da igreja de Santiago, junto às quais o senhor Pinto, o primeiro patrão de meu pai, já não vende louça de Conimbriga. Mas todos somos gente antiga.

 

Morreu o chimpazé de Tarzan e vai decorrendo o funeral do querido líder. Por cá, só uma clandestina placa toponímica dava nome de largo a um bode expiatório, com cognomes que o difamavam. Como os cemitérios estão cheios de insubstituíveis, prefiro notar como ainda abundam placas com nomes dos chefes no activo em tantos recantos do portugalório das vaidades, de autarquias a escolas, de estádios a ruas. Um problema de consciência da finitude por parte dos que têm medo da história e da verdade. Preferem as viúvas clientelares.

 

Retrato da personalização do poder, para ser meditado nas muitas coreias que ainda nos ensarilham, à esquerda e à direita, mesmo quando os intelectuários fingem que o inferno são os outros

 

Segundo o diário espanhol El País, o Orçamento do Estado de Espanha dedicou 141 mil euros anuais de vencimento ao rei Juan Carlos. António Mexia pode ganhar até 4,2 milhões de euros de salário na EDP. Já o nosso Presidente da República decidiu prescindir, a partir de 1 de Janeiro de 2011, do seu vencimento, no valor de 6.523 euros. Convinha privatizarmos a Zarzuela e o nosso paupérrimo Palácio de Belém.

 

Paliteiros da vassoura, numa igreja bem cristã, são postos na ordem pela polícia palestiniana. Notícia de uma rádio católica, que já não tem a velha estrutura das Cruzadas e costuma, nestes casos, ser uma estrutura de equilíbrio.

 

A fotografia secreta que a CIA forneceu às três gargantas fundas de Pequim, acentuando os efeitos das velhinhas de Fátima. As alemães já protestaram, considerando que se trata de mera operação de fotoshop de hackers do Tibete.

publicado por José Adelino Maltez às 20:14

27
Dez 11

Circula na net a lista das cerca de oito dezenas de assessores de gabinetes ministeriais que são incluídas no sítio das nomeações. Não escandalizam. Seria mais útil percorrer o último Povo Livre que publicou os nomes inteiros dos delegados ao congresso do partido e cruzá-lo com todas as noemações e ascensões em todos os aparelhos do favor do estadão. Juntem-lhe os do CDS, comparem com os que também ascenderam do mesmo modo no PS e façam o cúmulo de décadas de "spoil system". Não chega. São bem menos fáceis de detectar os rastos de favoritismo nas universidades, nas empresas de regime e nos contratados. É meio mundo ao serviço doutro em feudalismo, o desta ditadura da incompetência.

 

Os irmãos-inimigos (no Diário Económico de hoje): Porque Sócrates e Passos, substancialmente, não existem, dado que não passam de meros adjectivos de uma enferrujada canalização representativa, qualquer cenarização retrospectiva apenas confirmaria que a ordem dos factores eleitorais apenas mostra como não passam de irmãos-inimigos de um mais amplo situacionismo. Porque, no princípio, está a troika e o que nos conduziu ao presente modelo de protectorado, isto é, o cavaquismo, o guterrismo e o socratismo, essa gestão de dependências de uma governança sem governo, em avariada pilotagem automática, com a consequente rede invertebrada de um senhor ninguém, o que nos continua a tornar servos de uma gleba hipotecária, sem a vontade de sermos independentes, pelo culto dos laços de afecto comunitário que nos davam república. O país deve libertar-se e passar a ser governado pelo país. Está farto de ser laboratório das manobras eleitorais das jantaradas, dos congressos, das visitas dos queridos líderes, dos passeios do venerando chefe de estado, ou das inaugurações de sua excelência o primeiro ou o segundo ministro. Está farto da aliança de patos bravos, delegados de propaganda médica, dirigentes desportivos, jotas e seus oleodutos autárquicos.

 

No ano que agora finda, cem mil portugueses foram desta para melhor ficando neste mundo. No ano que aí vem, dos que cá ficaram, segundo as previsões, haverá uma baixa de 5,4% na remuneração. Já entrámos no Guiness da música celestial.

 

Há um tempo de feliz e funda nostalgia, a da família e a da pátria, do sentir-me vivo e livremente preso aos que amo e que me amam. Porque é elevar o comum da coisa amada a um transcendente situado, a que todos os homens têm direito. Tão comum e tão metafísico quanto aquilo que sentem todos os que pensam o sentimento dos laços afectivos que nos enraízam. Por isso me dói a alegria de hoje estar feliz, sobretudo quando se sente cada momento como se fosse o último. Uma funda e feliz nostalgia daquilo que alguns qualificam como lirismo e português. Como sempre e para sempre.

publicado por José Adelino Maltez às 20:16

26
Dez 11

Quem peregrina o país profundo, o das freguesias rurais e do país dos municípios, compreende a estupidez da desorganização do trabalho nacional, entre burocratas, políticos e jotas do concentracionarismo que não conseguem mobilizar o que há de melhor entre professores, empresários, jornalistas, padres, juristas médicos, militares e outras elites, no activo ou na aposentação, postas à margem pela ditadura da incompetência que serve de correia de transmissão aos chefes que consideram Portugal a capital onde se assentam e decretam o resto como paisagem.

 

O país quer ser governado pelo país, longe desta formidável rede de betão, cunhas, facilitadores de empréstimos bancários e outras loisas que gerou aquilo a que chamamos regime, onde muitos deslumbrados continuam a exibir as habituais sentenças de café, ao ritmo de RGA, pelas quai vamos finalmente salvar Portugal, a Europa e a Humanidade, enquanto no íntimo todos as piram por um lugar à sombra de pequenos césares de multidões do micro-autoritarismo sub-estatal.

 

O Portugal profundo, a província, etimologicamente, as partes conquistas, do magistrado romano que vinha pro vincere, está farta de ser laboratório das manobras eleitorais das jantaradas, dos congressos, das visitas dos queridos líderes, dos passeios do venerando chefe de estado, ou das inaugurações de sua excelência o primeiro ou o segundo ministro. Está farta da aliança de patos bravos, delegados de propaganda médica, dirigentes desportivos, jotas e seus oleadutos autárquicos.

 

Há que destruir a máquina invertebrada do senhor ninguém que todos os dias vai transformando em servidão o que outrora foram laços de afecto comunitário. Há todo um estadão paralelo de bufos, agentes intelectuários e honoríficos do penduricalho, bem como de pretensas oposições compradas pela mesa do orçamento que vão reproduzindo-se em encómios a quem não sai de cima, mas também já não sabe como criar. São eles que reprimem, coitados, só porque temem a inevitável revolta dos oprimidos.

publicado por José Adelino Maltez às 20:17

25
Dez 11

Neste dia em que costumam ser notícia as mensagens do costume, emitidas pelo Papa e pelo cardeal, sobre o bem e a moralidade pública, convém reparar no resultado das eleições do Egipto e no consequente significado de Al Nur. Bom Natal!

 

Sinais de rabanadas electrónicas na mesa de uma casa de jantar, tradicionalmente portuguesa, nas profundas do Minho.

 

"Nesta nossa querida terra onde ninguém a ninguém admira e todos a determinados idolatram." Ou como Almada Negreiros conseguiu retratar o permanecente método salazarento da gerontocracia decadente em que nos vamos deglutindo.

publicado por José Adelino Maltez às 20:18

24
Dez 11

Hoje sou da minha família, dos meus amores, dos meus irmãos, dos meus amigos, e escrevendo isto, sou como todos os outros, de todos os outros, para todos os outros, sendo ninguém, sou de todo o mundo, procurando o universal pela diferença. É Natal, todos podemos ser homens comuns à procura de Deus e dos deuses.

 

De Barcelos, no jardim de minha mãe.

 


publicado por José Adelino Maltez às 20:19

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Biografia
Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
Invocação
Como dizia mestre Herculano, ao definir o essencial de um liberal: "Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las"......
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