Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

07
Jul 11

De repente, quase todos parecem visionar que democracia não parece rimar com geofinança. Se as agência de ratação não se importariam que a Europa do défice pudesse ser normalizada por ditaduras das finanças, espero apenas que a honra da Europa se indigne. Os sinais de hoje não são desesperantes.

 

Num dia particularmente especial para o fim do sonhar é fácil, gostei das palavras de serena análise da conjuntura económica que foram proferidas pelo magistrado da nação com mais habilitações científicas e políticas para o fazer. Só escorreram comentários de boxe, a partir de um quase directo, pouco discreto, com as janelas fechadas aos pavões dos jardins de São Bento.

 

‎"Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses". Espero que tenha tido razão. Na prática, espera-se que a teoria volte a ser outra.

 

A fé move montanhas. Eu ajudarei.

 

Seis meses são 24 semanas e ainda só passaram duas...

 

Ainda hoje estou à espera da promessa que me fez João Salgueiro, como sub-secretário do planeamento de Marcello Caetano, sobre a nossa chegada, no final do século XX, à média de desenvolvimento da Europa... Infelizmente, todos os dias, há chefes e sub-chefes que nos dão certezas sobre o futuro emprego e a respectiva cientificidade sentenciadora. Psicopatas são os que enfiam o barrete.

 

Há verdadeiros doidos à solta gerindo o orçamento do estadão. Normalmente são os que se dizem lúcidos, chamando doidos aos que dizem não.

 

O que seria se, fazendo umas contas de merceeiro, criássemos por ano dez hipermercados por cidade? Garanto-vos que há mais loucuras do que essas em certas zonas ditas públicas.

 

Importa a refundação do Estado, extinguindo as rendas feudais que voltaram, bem como os curtos-circuitos que impedem os efectivos impostos de efectiva escrituração pelo ministério da fazenda, ao mesmo tempo que favorecem ilícitas, injustas e inconstitucionais expropriações fiscais e clandestinas e sucessivas formas de isenção, por parte de privilegiados. Por outras palavras, um dos decretos era para a restauração da justiça fiscal, de acordo com o velho princípio que levou à reunião das Cortes de 26 de Dezembro de 1253, onde fomos pioneiros...

 

Os decretos de Mouzinho sobre a dita "reforma administrativa" nunca foram aplicados. O primeiro parlamento logo os inviabilizou e em 1835 já Rodrigo da Fonseca manipulava essa coisa do distrito, através de uma devorista manipulação, pela compra dos oposicionistas... Há um sucinto trabalho do grande historiador do direito, Marcello Caetano, sobre a matéria!

 

Mas como a lenda continua, até o senhor ministro Miguel Relvas, restaurou a expressão, embora a administração pública tenha ficado para o ministro Gaspar...Para analisarmos a confusão, basta contabilizarmos as nomeações de ministros da reforma do Estado que temos tido, desde Pena a Alberto Martins, passal pelas modernizações administrativos de Cavaco ao simplex de Sócrates. Nada melhor do que fazer decretos sobre a parra da ilusão, sem ir ao fundo do mostrengo...

 

O fundo é simples de explicar: acabar com o "L'État c'est moi" e restaurar o "Estado somos nós".

 

O que é comum, não devia ser de nenhum...

 

publicado por José Adelino Maltez às 17:45

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Biografia
Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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Como dizia mestre Herculano, ao definir o essencial de um liberal: "Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las"......
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