Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

19
Set 11

Metade dos cursos do ensino superior ficaram com a totalidade das vagas preenchidas (título da Lusa). Pela primeira vez em seis anos, o número de alunos colocados sofreu redução (título do Público). Entradas baixam pela primeira vez desde 2005 (D. Notícias). Dos candidatos colocados em cursos públicos, 58 por cento conseguiram ficar na 1.ª opção. Sobram 11 938 vagas para a segunda fase (C. Manhã). Na internet não há títulos.

 Nas semanas anteriores, os gastos com publicidade enganosa de vários estabelecimentos públicos contribuíram naturalmente para o combate à crise das receitas de publicidade dos órgãos de comunicação social.

 

Há o macro e o micro. Numa escola de ensino superior, perto de muitos, Gestão de Recursos Humanos em regime pós-laboral e Contabilidade em regime nocturno, não tiveram qualquer ingresso. Noutra escola superior, mais perto de outros, vê-se como, puxando o lençol para um dos lados, ele destapa no outro. Maldita demografia! Maldita falta de emprego! E, pior ainda, a desertificação das mentes centrais, com música celestial!

 

Pena que os nomes não correspondam às coisas nomeadas. Quanto mais qualificações formais, menos prática delas nos sectores publicamente cimeiros, os dos planos e reformas das papas que enganam os tolos, mas que dão consultadoria às clientelas, incluindo a dos pretensos inimigos, mas comensais à mesa do orçamento. O futuro é que pagará mais. Por enquanto, ainda vivemos de rapar o tacho.

 

O pior desta engenharia de vagas do superior está no absurdo centralismo e na desbragada macrocefalia que geram. Se dão fogo às assimetrias, as consequências desigualitárias serão desastrosas. Não foi por acaso que D. João III mudou a universidade para Coimbra, quando só havia uma. E que a segunda a ser instalada foi em Évora. Como é que poderemos defender a periferia na Europa se promovemos periferias cá por dentro?

 

Foi por razões demográficas e por oportunismos carreirísticos que, num ápice, desapareceram universidades privadas que viviam do oportunismo da procura. Infelizmente, com os sinais evidentes de diminuição da procura, o aumento da oferta da banda larga, em nome da empregomania "entitária", ninguém repara no suicídio institucional?

 

 E será que também não reparam que quem mais oculta esta verdade são os partidocratas do centro e das localidades, marcadas pelo caciquismo, sobretudo os que acumulam o qualificativo de docente no ensino superior, para efeito de cartão de visitas? Basta fazerem a lista e chegarem a uma fácil conclusão

 

E ninguém tem a coragem de adequadas propostas de fusão? Primeiro de politécnicos com universidades. Depois de vários cursos repartidos por várias escolas do ensino superior, desde que não se afecte a concorrência, mas desde que, previamente, haja ciência, comunitariamente comprovada, sem artificiais transferências de área, para engano de papalvos da engenharia de nomenclaturas.

 

Ninguém repara que há muitos que se dizem importantes na política porque são docentes do superior? E que outros tantos se dizem importantes no superior porque são importantes na pulhítica? E que, somando os dois acumuladores, muitas vezes, dá menos do que zero?

 

Ninguém repara na artificialidade de recursos científicos formalmente fixados na escala dos que, formalmente, pela cronologia, não podem exercer no sítio onde professaram? Deviam poder exercer, não deveriam é contribuir para a estatística da engenharia de vagas...para gáudio dos patos bravos que vão fazendo coincidir o superior com o betão. Até em participações accionistas.

Devia acabar-se com o "numerus clausus" global. Cada escola deveria ser autónoma na fixação das respectivas vagas, mas arcaria com as responsabilidades. O Estado apenas deveria fixar o número de estudantes por curso que se comprometeria a financiar e que seriam escolhidos pelo critério da nota obtida.

Digo mais: fundir cursos em zonas onde os recursos científicos são escassos. Deslocalizar alguns para fora dos grandes centros. Utilizar a universidade pública como forma de luta contra a desertificação e a insularidade.

publicado por José Adelino Maltez às 08:57

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Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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