Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

24
Mar 11

 

Encerrado o ciclo de governos de minorias à espera de um milagroso acaso de política europeia que multiplicasse os pães da aritmética parlamentar, todos os discursos que repitam o silogismo da lógica anterior ao regresso da política como persuasão podem ser de personagens à procura de autor ou meros nomes que já não correspondem às coisas nomeadas. Estamos definitivamente condenados a formas de concertação política que partindo de divergências e convergências gerem a complexidade de uma emergência que não tem que ser procura do quantitativo da aritmética parlamentar, mas antes a uma geometria de regime e de restauração de confiança da comunidade no presente aparelho de poder. Daí que o PS volte a ser uma espécie de encruzilhada do actual sistema político, cabendo-lhe o desafio histórico de evitar que a governação, ou o vazio de poder político, possa fazer renascer a tentação do curto-circuito populista, pelo excesso de principado ou pela cobardia dos marechais. Basta acalmarem as paixões que nos podem fazer regressar a Costa Cabral e a João Franco e dizer a Sócrates que quem tem por si a força do apoio interno nunca terá o desairoso de contemporizar com a balança de poderes. O Largo do Rato não é a Ilha de Elba, nem Waterloo pode ser a síntese dos que apenas pensam em termos de amigos e inimigos. Basta a humildade do arrependimento, mesmo sem confissão pública.  

publicado por José Adelino Maltez às 17:12

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Biografia
Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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Como dizia mestre Herculano, ao definir o essencial de um liberal: "Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las"......
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