Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

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Mar 11

As manifestações do próximo dia 12 já são sistémicas. Carvalho da Silva diz que alguns querem convocar a juventude para a desarmar (TSF). O homem da Madeira diz que apoia porque ela é contra o regime (JN). Se calhar, não estão a falar da mesma coisa.

publicado por José Adelino Maltez às 19:39

Depois da UE, do euro ou de Schengen, a diferença entre o que é interno, do bom e velho Estado, e daquilo que é externo, não se compadece com a realidade de uma longa raia de uma cooperativa de soberania que só o bizantinismo dos manuais permite que dissertemos sobre o sexo dos anjos...

 

O bom e velho Estado passou a ter que viver com entidades supra-estaduais que, mesmo que não se designem como Estados, actuam em governação sincrónica sobre os mesmos territórios e populações em procura do bem-estar, da justiça e da segurança, com a consequente dispersão de expectativas e lealdades...

 

Por outras palavras, os portugueses e a terra portuguesa já vivem, há muito, sob a actuação de mais do que um governo e sofrendo mais do que um Estado. Até elegemos um parlamento supranacional, para além das velhas referências do mercado comum, da liberdade de circulação de pessoas, mercadorias e capitais.

 

Não importa agora dizer se é bom ou mau este processo de integração, apenas recordo que ele é tão efectivo que não se compadece com manobras de propaganda como aquela que enredou a Ditadura, antes da chegada de Salazar ao poder, com a diabolização do Grande Empréstimo da Sociedade das Nações. Infelizmente, a propaganda continua barata.

publicado por José Adelino Maltez às 19:36

O drama está agora na infuncionalidade europeia. Quando a potência hegemónica tem poder na geofinança e na geoeconomia, mas continua com os pés de barro em termos de potência militar. A volatilidade dos vizinhos do Sul mostra que a Europa precisa tanto da moeda única como dos britânicos, da NATO e do guarda-chuva habitual do amigo americano.

 

O vizinho russo ainda não dá para saltar ao eixo e o jogo é complexo: tanto passa pelos barcos que os turcos autorizaram a navegar para a Palestina, como pelos emigrantes turcos na Alemanha e a adesão de Ankara a União Europeia. E Portugal já nem finge ameaçar, explicando como Otelo poderia ter sido o Kadafi cá do Ocidente. Por isso, prefiro acompanhar a reacção que vai ter o Estado de Israel.

publicado por José Adelino Maltez às 19:34

Só houve implosão do antigo regime com as vacas magras da crise petrolífera. Mas os controleiros do costume voltaram e lá continuam a instrumentalizar a partidocracia do bloco central e a navegar na eurolândia. São os únicos com embaixada permanente na geofinança.

publicado por José Adelino Maltez às 19:34

O modelo europeu foi, de forma sublime, definido por Jacques Delors: "dois terços de classe média" (aqui diz-se remediadinhos) e "um terço de excluídos sociais" (agora, identificam-se com os de menos 35 anos). O salazarismo baseou-se exactamente na mesma forma de controlo social. Explodiu socialmente nos anos sessenta, mas ainda aguentou década e meia, graças à guerra e à emigração.

publicado por José Adelino Maltez às 19:24

As chamadas elites continuam a encanar a perna à rã. E as massas não protestam nem se revoltam. Todos acreditam que, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. E os situacionistas até já comentam a revolução marcada para 12 de Março, um pouco à imagem e semelhança de José Eduardo dos Santos, mas sem força sequer para mobilizarem uma contramanifestação. Estamos enjoadamente adiados. Como sempre.

publicado por José Adelino Maltez às 19:23

Acordos partidocráticos de gabinete apenas contribuem para a hipocrisia. Nem sequer chegam a um acordo quanto aos desacordos. E gastámos energias eleitorais em vão. Nas europeias, autárquicas e presidenciais. A legitimidade governamental não estava fresca, como na Grécia. E todos temem dar o passo dos irlandeses. Sem qualquer sobressalto cívico adequado à real dimensão da crise.

publicado por José Adelino Maltez às 19:22

Jorge Jesus: “Este é o jogo da época para o Sporting”. Saída da economia nacional da crise joga-se em encontro de meia hora entre Merkel e Sócrates. Acertaram a hora para o encontro de hoje em Berlim, mas não a divulgação do que estará sobre a mesa de trabalho. Sporting gasta menos um terço em salários do que FC Porto e Benfica. Não haverá transmissão directa do jogo, nem na Económico TV.

publicado por José Adelino Maltez às 19:21

Um ilustre político lusitano acaba de proclamar na televisão que, desde 1383 até 1974, não houve em Portugal nenhum movimento popular, com pessoas, não dependente daquilo que diz serem instituições. Aconselho-o a ler o mínimo sobre a Restauração de 1808 e depois a dar um salto até à Maria da Fonte e à Patuleia. Pode começar pelos relatórios de José Acúrsio das Neves...

 

publicado por José Adelino Maltez às 19:20

Um ilustre político lusitano acaba de proclamar na televisão que, desde 1383 até 1974, não houve em Portugal nenhum movimento popular, com pessoas, não dependente daquilo que diz serem instituições. Aconselho-o a ler o mínimo sobre a Restauração de 1808 e depois a dar um salto até à Maria da Fonte e à Patuleia. Pode começar pelos relatórios de José Acúrsio das Neves...

 

Convinha que alguns dos nossos educadores do proletariado televisivo estivessem à altura desses inventores da guerrilha que, peninsularmente, foram o princípio do fim do usurpador, onde desde os maçons do Conselho Conservador a toda a rede eclesiástica se uniram pela pátria. Como, contra o cabralismo, se federaram miguelistas e setembristas numa verdadeira identificação nacional que alguma classe política traiu na Convenção do Gramido.

 

Por mim, orgulho-me destes movimentos populares que nos deram pátria no Portugal Contemporâneo. Se alguns dos membros da actual política não repararam nisso, tenham a humildade de o aprender. Mas não digam asneiras, nem deseduquem a verdade da nossa resistência! Revolto-me!

 

De facto, há muita gente a julgar que Olhão da Restauração tem a ver com 1640. Não! Tem a ver com aquilo que devia ser comemorado em todo o lado como a nossa Restauração de 1808. Nem Goya os faz associar isso a idêntico movimento que deu origem às Espanhas contemporâneas e à consequente aliança peninsular que se estabeleceu contra um inimigo comum, onde os doceanistas são os nossos vintistas e onde os "mártires da pátria" não são mera fantasia. Se eu fosse influente obrigava esse político a ir até ao jardim do Campo Santana e a ler, um a um, o nome dos que aí foram assassinados em 1817. Para que repetisse um a um tais pessoas na televisão e nos pedisse desculpa a todos.

 

A nossa falta de cultura de resistência só pode entender que o nosso 1789 foi 1808 contra os usurpadores de 1789. Foi dessa liberdade que nasceram os doceanistas, os da Revolta de Cádis, e os vintistas, os de 24 de Agosto de 1820. Com o Sinédrio pelo meio, vingando a morte dos mártires da pátria e de Gomes Freire, em 1817. A Primeira República ainda aviva a verdade. A viradeira salazarista ocultou-a e certa ala do 28 de Maio que permaneceu no 5 de Abril preferiu ler Lenine.

 

Não o quero insultar, nem o identifico aqui. Porque sei que ele tem boas intenções mas talvez falta de informação. Mas indigno-me, porque é assim que nos desnacionalizam. E eu nunca admitirei que o façam com o meu silêncio. Porque, desta forma abrimos as portas aos patriotorrecas...

 

1789 era uma revolução à inglesa, com rei e parlamento, antes do Terror e de Napoleão. Prefiro conjugar a libertação de forma pós-revolucionária, vintista, cartista, cincoutubrista e vintecincabrilista. Porque as revoluções são sempre pós-revolucionárias: medem-se pela estabilidade democrática que nos proporcionaram em liberdade, pluralismo, tolerância, pouca ignorância e nada de tirania.

publicado por José Adelino Maltez às 17:34

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Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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Como dizia mestre Herculano, ao definir o essencial de um liberal: "Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las"......
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