Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

09
Set 11

Nenhum constituinte tinha previsto que um memorando de entendimento com um grupo de trabalho mandatado por organizações internacionais com um governo de Portugal poderia ser efectivamente superior ao texto da constituição, ainda por cima negociado mediante a ameaça, não da ocupação, mas da bancarrota.

 

Ir além da troika, aqui e agora, deveria ser tanto atacar a causa do endividamento, como evitar que a protecção se transforme de provisória num definitivo ocupante da nossa autonomia, como a invocação exógena de uma qualquer bela ordem que disfarce a impotência interna.

publicado por José Adelino Maltez às 20:42

08
Set 11

Enfurece-me, de vez em quando, a estupidez de certos argumentos vingativos da direita, mas logo se manifesta a estupidez de certos argumentos vingativos da esquerda. O que me enfurece efectivamente é a estupidez que não é de direita nem de esquerda, mesmo quando se diz do centro. A política, por vezes, é mesmo estúpida.

publicado por José Adelino Maltez às 20:41

Os nossos políticos deveriam imediatamente estudar as biografias e memórias de António Teixeira de Sousa, Júlio de Vilhena, António Maria da Silva, Francisco da Cunha Leal e Marcello Caetano, os tais que eram notáveis especialistas em ramos de árvore, estrume e poda, mas que nunca comprenderam os movimentos globais da floresta. Ainda disputam, entre eles, o título de coveiro máximo.

 

Em 1910 e 1926 estávamos em formal resgate da bancarrota. Em 1974, já havia consciência de uma inevitável derrota num guerra onde éramos simples peões de um xadrez mais amplo: uma guerra por procuração da guerra fria. Agora a guerra é outra e continuamos a dourar a pílula.

 

publicado por José Adelino Maltez às 20:24

Quando um parlamento deixa escapar que a principal notícia do dia é a recepção de um envelope com documentos explosivos, recebidos de um qualquer anónimo, mas com relevância para o segredo de Estado, resta esperar pela próxima casca de banana, sob a forma de parangona, que as mesmas fontes suscitarão, neste país de inconfidências, conspirações e amiguismos. Gastam-se pelo mau uso e correm o risco de implodir.

publicado por José Adelino Maltez às 20:24

 

 

Se os nossos políticos meditassem nas memórias de António Teixeira de Sousa, António Maria da Silva e Marcello Caetano poderiam concluir que, às vezes, notáveis especialistas em ramos de árvore, poda e estrume, correm o risco de não prender coisa com coisa, não compreendendo o sentido geral da floresta e acabando arrastados pela força daquelas circunstâncias que os podem transformar em coveiros de regimes.

 

Pelo menos, importa reconhecer que os problemas económicos e financeiros, como os desta encruzilhada, só se resolvem com medidas económicas e financeiras, mas não apenas com as medidas económicas e financeiras.

 

Contra a força normativa dos factos, isto é, do memorando negociado por Sócrates, a actual maioria da aritmética parlamentar faz bem em procurar ir além da troika.

 

Só que, para vencermos o Adamastor, sem morrermos da cura, é inevitável navegarmos na geometria política e social de um acordo de regime.

 

Por outras palavras, o novo mapa deste fim-de-semana, para quem não quer ser grego, impõe a conjugação com um PS pós-socrático, que tem a favor dele o médio prazo de uma eventual derrota eleitoral de Merkel, Sarkozy e Berlusconi. Por outras palavras, antes de chegar o tempo do eventual princípio do fim, seria mais prudente consensualizarmos o fim do princípio, voltando a princípios que sejam os verdadeiros fins! 

publicado por José Adelino Maltez às 14:51

07
Set 11

Depois do ataque de Jerónimo de Sousa aos comentadores na Festa do Avante, reparo que hoje foi a vez de um ilustre deputado do PSD, e do Algarve, denunciar a opinião crítica face aos ilustres governantes que nos regem, acusando quem não os aplaude de usar da tolerância zero. Para mim, o que tem havido é falta de uma mais viva oposição, para que ela não caia na rua.

 

publicado por José Adelino Maltez às 20:23

Para os devidos efeitos, confesso que, por não poder ter partido, estou condenado a ser comentador político e que não divido o mundo entre os que são adeptos de Mendes Bota e os que foram à Festa do Avante, porque tanto não tenho tolerância zero face ao presente governamentalismo, como também não divido o mundo entre amigos e inimigos.

 

Prefiro continuar a discutir os novos deuses, as velhas pátrias, as antigas constituições e os eternos impostos contra a família e os indivíduos. Se reconheço como excelentes os economistas que nos presidencializam, primo-ministerializam e ministerializam, tenho dúvidas e até me costumo enganar. Daí que não goste de ser enrolado pelos que fingem que há previsões e cenários sobre o princípio do fim, quando ainda estamos no mero fim do princípio e continua a faltar que, nos princípios, estejam os verdadeiros fins!

 

Problemas económicos e financeiros como os desta encruzilhada só se resolvem com medidas económicas e financeiras. Mas não apenas com as medidas económicas e financeiras de um memorando negociado por Sócrates, face à coacção das circunstâncias e a reserva mental dos que assinaram o texto. Tenho a ilusão de acreditar que, a partir de segunda-feira, o novo líder do PS pós-socrático poderá ter várias reuniões com o chefe do governo sem exigir a presença de testemunhas, para que não se reduza o consenso dos tais 85%, que são qualitativamente melhores que o absolutismo curto da mera aritmética parlamentar.

 

Daí detestar que alguns activistas da teatrocracia exagerem nos argumentos de rábula, os tais que podem gastar-se pelo mau uso e transformar-se em caricatura, quando for inevitável uma adequada maioria constitucional. Já conheci muitos desses excelentes que, depois de desusados, passam a prostituir-se pelo abuso do espectáculo.

 

Como sempre fui céptico face aos programas que estão na base deste governo, continuo entusiasta face aos velhos princípios liberais, que estão à esquerda do PPE e à direita do socialismo europeu. Prefiro recordar que, para vencermos o Adamastor, sem morrermos na volta, é inevitável a geometria política e social de um acordo de regime, para que nenhum piloto do futuro tenha a amargura de poder ser o coveiro do regime.

publicado por José Adelino Maltez às 14:56

06
Set 11

 

 

Com tão excelentes economistas que nos presidencializam, primo-ministerializam e ministerialmente nos financializam, ninguém pode duvidar que teremos economia, empresas, contas, bancos e financiamento. Nem que seja pelo enrolar das conferências, audições e entrevistas, onde, pela palavra deslumbrada, pode o anzol entrar. Com tantas previsões e cenários, não pode haver macro-incertezas! Quem tiver dúvidas e se enganar, vá para Vilar das Perdizes!

 

Se entrarmos em insustentatibilidade, logo mandaremos carta pré-datada, pedindo plano de resgate...

 

E a qualquer outra questão que me coloquem, sempre poderei dizer que é uma questão prematura, isto é, está em imaturação antes da mutaronotoriedade do prematuro. Por outras palavras, o aborto já não é crime!

 

Se eu fosse mau e não tivesse medo da trovoada, mandava-os, para o raio que os partam. Mas como também me lixava, prefiro pagar as quotas à associação dos bombeiros voluntários aqui do bairro, mesmo que não haja bombeiros, nem quartel!

 

Mas quem sou eu, para tanto. Ainda tive Finanças Públicas com o Professor José Joaquim Teixeira Ribeiro. É das melhores notas que tive no curso, mas confesso que, sem ser por culpa do professor, não sei mesmo nada de finanças destas. Fiquei troikado de todo, com a súbita alteração das circunstâncias...

 

E não haverá ninguém que avise alguns activistas do situacionismo, e do oposicionismo, que o exagero nos argumentos e nos holofotes pode gastá-los pelo mau uso e transformá-los numa caricatura? Já conheci muitos desses excelentes que, depois de desusados, passam a poder prostituir-se pelo abuso.

 

Quando certos abrem o livro da faladura, a malta já sabe o que eles vão dizer, porque dizem o tudo e o seu nada, o próprio e o respectivo contrário, como todos se esquecessem do ontem e do anteontem...

 

Isto de alguém ser especialista em assuntos gerais exige uma grande especialidade...a dos princípios, crenças e valores de um eu que permaneça para além das circunstâncias. O catavento não é bom paradigma.

publicado por José Adelino Maltez às 20:19

Só alguém do Olhanense que sempre foi apoiado pelo Boavista teria a coragem de proclamar: «Esta seleção demonstrou que algo está errado no futebol português, quando mais de 50 por cento dos jogadores que actuam em Portugal são estrangeiros». Descontando essa do comunitário, também é verdade que três quartos da nossa selecção de seniores actua no estrangeiro. Que saudades eu tenho do Eusébio, quando ele era nacional!

 

Gostava mais do Benfica quando só juntava lusitanos, angolanos e moçambicanos. Por isso é que sou do Benfica, quando ele era campeão europeu com tanta mobilização africana.

 

Agora é Sporte Lisbona y Bienfica, que Jesus é universal e Vieira importador qualificado...

 

Bella Gutmann e Otto Glória sabiam fazer o belo Sport Lisboa e Saudade. Um era exilado húngaro anticomunista e outro, da CPLP...

publicado por José Adelino Maltez às 20:18

Em oito meses deste ano foram batidos todos os recordes. Em Vila Franca de Xira já deram pela falta de 166 tampas de esgoto e de 52 grelhas de sumidouros. E um munícipe detectou tampas de esgotos e grelhas de sumidouro com a inscrição dos SMAS de Vila Franca de Xira numa urbanização de São João do Estoril...Pudera! O que passa por baixo é o mais do mesmo...

 

A única solução para a nossa solvência está na criação de um mercado público de feiras da ladra. Fica mais barato pedir ao desviador que devolva à procedência a chapa transviada. É tudo mera questão de consultadoria estratégica.

 

publicado por José Adelino Maltez às 20:15

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Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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Como dizia mestre Herculano, ao definir o essencial de um liberal: "Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las"......
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