Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

15
Set 11

Se eu começo por dizer, perante um universo de cem por cento de nomeados políticos, sem qualquer racionalidade normativa, da clássica burocracia weberiana, que os vou reduzir em xis por cento, estou a juntar xis aos cem por cento, em termos de espinha torcida perante o centro. Ninguém acredita, pela prática seguida, de forma imemorial, por estes que estão, que a competência vai ser superior à fidelidade. Caso contrário, tinham dado exemplo, com ministros, secretários de estado e deputados.

 

Se a política se medisse por extinções, concluiríamos que, medindo a passagem dos 6286 chefes para 4574, Álvaro recebia a medalha de ouro, pelo silêncio (reduz de 1264 para 769), Mota Soares, a de prata, com vespa (de 1554 para 1201), e Cristas, a de bronze, sem gravata (de 883 para 719). Mas Bakunine ainda ia mais longe: extinguia-os todos, abolindo o Estado. Foi assim que ganhou as olimpíadas da anarquia, na Sibéria.

 

Se eu mandasse, emitia um simples decreto: cada um passa a chefe de si mesmo! Acabávamos imediatamente com esta anarquia ordenada que é, afinal, uma desordem bem organizada pela pesada herança da propaganda. Por enquanto, nem em mim, eu próprio, posso mandar. Estou totalmente acorrentado pela necessidade!

 

Como não sei distinguir entre a ala esquerda e a ala direita do mesmo bloco situacionista, temo que os novos senhores continuem susceptíveis à bajulação que nos conduziu à decadência.

 

Num dos últimos planos de extinção, quando as coisas vieram com nomes das entidades, houve uma fuga de informação num dos semanários de fim-de-semana. Um dos eternos chefes de uma das previstas, conseguiu que uma das figuras pardas de todos os regimes telefonasse ao defunto, hoje em regime de licença sem vencimento. Na segunda-feira, o ressuscitado voltava a ser morto-vivo deste céu carregado e ainda hoje é sentenciador e reformista, sem desacumular.

 

Está tudo tão feliz, conservando o que está! Sobretudo quando antes de lá estarem queriam deitar fogo e destruir a máquina, antes de serem os maquinistas, neste caminho de Damasco. Ministros, de todo o mundo, uni-vos! Enquanto houver propaganda, a revolução continua!

publicado por José Adelino Maltez às 00:45

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Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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