Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

05
Jul 11

Há muitos anjos que entrarão em queda e dos quais ainda não rezam as estórias, entre novos deputados e novos governantes. O caso Fernando Nobre não é propriamente o da luta dos independentes contra a classe política, mas de um feitiço que, depois de dar os primeiros passos na sociedade de corte, na qualidade de feiticeiro, não se apercebeu que apenas estava a dar os últimos, isto é, que estava a ser endrominado.

 

Revi hoje um entrevista que dei à SICN em cima do anúncio da candidatura de Fernando Nobre por Passos Coelho. Chamei-lhe nota de pé-de-página, discussão do sexo dos anjo com que procurávamos tapar o sol da verdade com uma peneira. Arrisquei que haveria em 5 de Junho um golpe de estado sem efusão de sangue. E falei do governo de pacto entre as duas principais multinacionais partidárias da Europa...

 

Não tardará.

 

Uma professora, há vinte anos na sua escolinha, conta na televisão como ela se fez, por acção de cooperação e voluntariado da comunidade do Outeirinho, onde o público foi verdadeiramente horizontal. Esqueceu-se da velha herança absolutista dos burocratas, para quem só é público o que vem de cima e à distância, a mando do senhor ninguém...

 

Foi num telefonema simples para o discurso directo para a TVI...falando numa tradição reinventada há vinte anos, mais com rifas e livrinhos da autogestão do que com impostos...Pena que o Estado ocupante se esqueça do cooperativismo criativo!

 

Alguma estupidez jacobina e revolucionária não entende que o mais público que há em Portugal vem do horizontalismo dos vizinhos, de baixo para cima. Os de cima confundem a legitimidade do título com a legitimidade do exercício e pensam que o público pode expropriar o essencial da herança do que é comum...

 

A nossa "sociedade de corte", bem capitaleira, já não é a "corte na aldeia"..."da roupa branca", nem o velho "pátio das cantigas". Vale a pena ler esta história, sobre os verdadeiros meandros mercantilistas do "estado a que chegámos"...

 

Sobre a tradicional técnica da caça às bruxas: "Não há mister audácia, nem inteligência, nem ciência – audácia porque o adversário não responde; inteligência, porque o adversário não corrige; ciência porque os únicos que podem corrigir estão sob um sigilo que lhes inibem a correcção" (Fernando Pessoa). Basta vivermos como pensamos, sem pensarmos muito como depois vamos viver.

 

Alguns caçadores de bruxas, julgam que a verdadeira preparação de um tipo para a ascensão ministerial passa por ele nunca antes ter falado com o abecedário da ruptura, só em politiquês quadrado e em adulação serôdia. Eu admiro ministros que tenham partido a loiça. Incluindo a das minhas crenças e das minhas perspectivas reformistas. Um burro não tem que mudar apenas para mula. Pode cavalgar, se a tanto ousar.

Apesar de tudo, há notícias positivas: "Estou convencido, com base na minha experiência no Brasil e noutros países, que erradicar a fome é uma meta razoável e alcançável". Um agrónomo de Campinas, agora em Roma.

 

José Graziano da Silva acredita que erradicar a fome é uma "meta razoável" - Mundo - PUBLICO.PT

www.publico.pt

 

 

Isto porque, se existe consenso mundial em alguma coisa que diga respeito à FAO, esse é de que a existência de 925 milhões de pessoas com fome no mundo não é razoável, sustentável nem admissível, e simultaneamente de que o funcionamento da FAO não é eficiente, transparente e racional.Criada em 1945

 

publicado por José Adelino Maltez às 15:19

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Biografia
Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
Invocação
Como dizia mestre Herculano, ao definir o essencial de um liberal: "Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las"......
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