Registo de algumas análises, farpas e aforismos no Facebook de José Adelino Maltez

17
Set 11

Os colossais esqueletos no armário, além de agravarem os impostos de cada um, por causa das espetadas de comício, lançaram no fio da navalha aqueles que podem vir a ser marcados pela global falta de autenticidade. Esperemos pelo comício laranja de encerramento da campanha eleitoral regional, com o eventual fim do princípio, antes do prometido princípio do fim.

 

Os sinais de conspiração da maçonaria internacional contra a primeira zona libertada do mundo pela social-democracia betonal-cristã são cada vez mais evidentes. As mentiras já não são apenas dos cubanos, do coelho, dos socialistas, do pnd, dos comunas, dos fariseus e dos seus comparsas...

 

“O que se passou desde 2004 na Madeira é uma irregularidade grave, que não tem compreensão”, afirmou Passos Coelho, algures no Contenente, quando procurava defenestrar o que lhe entrava pelo tecto das traseiras... Por menos do que isso, rolou no voto outro artista português...

 

As parangonas já não são sobre espiões, mas sobre buracos antigos que nunca os arquivistas da contabilidade alguma vez registaram: "também Jesus Cristo não percebia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca". É verdade, mas também não pregava o ódio contra inimigos imaginários nem era abençoado pelos sacerdotes das antigas crenças...

 

Cavaco, Sócrates e Jardim são, de facto, os pés de barro do presente e futuro endividamento. São dívidas de uma guerra que, afinal, foi perdida. A antiga bandeira do desenvolvimento empaturrou-nos de betão, rotundas, estátuas e placas inugurativas. Agora deviam ter faixas que explicitamente nos mostrassem qual a percentagem que cada um dos futuros vai pagar pelos colossais planeadores do vivório e foguetório do eleitoralismo.

 

Se o PSD-Madeira se jangar com o PSD-Nacional, há quem sugira a criação de um novo partido, ainda sem nome, mas que terá como representante, no Contenente, Joe Berardo. Para os Açores, está prevista a deslocação de Jaime Ramos. Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Manuel Dias Loureiro e Oliveira e Costa ainda não ponderaram os respectivos regressos.

 

O PGR vai analisar a omissão de dívida da Madeira revelada pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística que ascende a 1.113 milhões de euros e levará à revisão dos défices entre 2008 e 2010. O PR não vai reunir o Conselho de Estado. "Eu já disse, a dívida foi feita, está toda aí, para quem quiser ver, está tudo feito, apurem tudo o que quiserem que estamos muito descansados". Impunidade é ter razão quem vence, mesmo que vença quem não tem razão.

 

 O departamento de "agenda setting" está em alvoroço com esta deslocação de Miguel Relvas ao Brasil. A autogestão dos "éclaireurs" com sotaque à moda do Norte começa a enfadar

 

 

A técnica usada por J. Pacheco Pereira no auge do cavaquismo, e repetida pelo socratismo, de assumirem o vanguardismo da oposição da oposição, em caso de crise, não consegue tapar o sol com uma peneira nem traduzir 1. 113 milhões de euros por cinco tostões...

 

O problema é que não há Continente nessas contas. Há República e um madeirense acumula.

 

Vou ouvindo Portas. Utiliza o argumento Madeira para fins eleitoralistas. Como o faz o PS. Como faz o PCP. Como faz o BE. Por isso é que o primeiro responsável político a falar, para nossa vergonha, foi o comisssário europeu, finlandês.

 

 O INE e o Tribunal de Contas funcionaram, mas o tempo da fiscalização técnica não é, infelizmente, o tempo do fiscalizador político. E todos hão-de dizer que têm a consciência tranquila.

 

 

A pior coisa desta degenerescência jardineira, está na imediata conclusão populista sobre este populismo: a culpa esta na existência de regiões e de regionalismo. Portanto, era melhor que certos pretensos regionalistas do actual situacionismo não se precipitassem em propagandismo. Convinha lembrar que Alberto João Jardim fez campanha contra a regionalização do Continente no último referendo. Não foi falta de autenticidade, foi esperteza que nos saiu cara.

 

 É evidente que a chamada igualdade de oportunidades nas próximas eleições regionais da Madeira pode ser formalmente reconhecida, mas o conceito de "free and fair elections" começa a ter as dimensões de "caso" que não gostaria de ver alargado ao resto do país!

 

 

A questão madeirense dá para perceber muita da política de percepção externa da presente questão europeia. Os madeirenses, em reacção de legítima defesa, jardinizam, os contenentais repudiam as ajudas que vêm de para tanto serem impostados, tal como a reacção dos europeus centrais e do norte face aos periféricos do sul...a mesma mistura explosiva de populismos e egoísmos epidérmicos.

 

O chefe efectivo da nossa diplomacia, o primeiro-ministro, depois de um esforçado périplo, percorria a passadeira vermelha da grande política intergovernamental da Europa, quando, de repente, lhe atiraram uma casca de banana. Aguentou-se, apesar de tudo. Mas ainda pode escorregar. Espero que não cometa o erro de Manuela Ferreira Leite...

 

Por isso, aconselhava os actuais maneleiros do PSD a não pensaram que o resto do país é o auditório do Chão da Lagoa.

 

Há uma velha observação da política experimentada. Tanto é má política um desonesto que trate de gerir honestos, como o seu exacto contrário, um honesto gerindo desonestos. A medida da boa política não é propriamente concluirmos se um determinado político cimeiro é mais parecido com José Eduardo dos Santos ou com António de Oliveira Salazar. De um ao outro, venha o Diabo e escolha. Hoje a boa política é saber se os políticos de hoje podem empenhar a geração dos meus filhos e dos meus netos, em nome do que pensam ser o bem imediato do eleitoralismo e da popularidade fácil.

 

‎"Se cuidas que a popularidade é coisa diferente da justiça e da moral austera te enganas" (conselho deixado por Mouzinho da Silveira a seu sucessor, quando abandonou o cargo de ministro da fazenda, por não transigir com uma política de expropriações que ele considerava ilegal). O maquiavelismo que pode parecer boa política no curto prazo, acaba por ser uma má política no médio prazo. De qualquer maneira, é sempre uma péssima moral (Wilhelm Ropke).

 

Quem não se importa de não salvar a alma, para salvar a alma da cidade (em discurso de justificação), pode parecer ter muita ética, mas não tem a da convicção. Comete o habitual pecado da razão de Estado. Mesmo que lhe chame cristã.

 

Segundo a chamada Razão de Estado cristã, de Justus Lipsius, em "Politicorum, sive civilis doctrinae..."(Antuérpia, 1589), há três categorias de fraude política: a ligeira, consistindo na desconfiança e na dissimulação, aconselhável a qualquer estadista; a média, incluindo a corrupção e o engano, apenas tolerável; e a grande, desde a perfídia à injustiça, considerada injustificável e absolutamente condenável.

 

 Foi chão que deu uvas, esta doutrina oficial do filipismo... A nós deu-nos a revolta que conduziu a 1640.

 

 

Estávamos fartos de "ministros do reino por vontade estranha". Mas foi preciso que o Manuelinho de Évora se atravessasse...

 

Estamos a confundir a árvore com a floresta. O número de portugueses da Região Autónoma da Madeira é apenas o quádruplo da população da freguesia de Algueirão-Mem Martins. Há que cumprir o princípio da igualdade e evitar que o principal grupo de pressão política da nossa actualidade passe a ser motivo de chacota na reunião Ecofin. Panos quentes apenas aquecem o endividamento. Até na má imagem de Portugal.

 

O exacto contrário do "small is beautiful" é a megalomania. É passar do oito ao oitenta. Em dívida, nomeadamente.

 

O princípio da igualdade, para um regionalista como eu, implicaria que houvesse em Portugal, em vez de um, quarenta jardins, neste jardim à beira mar plantado. Basta fazer as contas, para reduzirmos a coisa à sua verdadeira proporcionalidade. Isto é, pelo menos, mais trinta e oito conselheiros de Estado e outros tantos PSDs. Mas com as mesmas regras que tratem desigualmente o desigual. Tudo não passa de uma manifesta autarquização da pátria, isto é, de um Portugal dos pequenitos com a mania das grandezas.

 

publicado por José Adelino Maltez às 12:28

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Bem mais de meio século de vida; quarenta e dois anos de universidade pública portuguesa; outros tantos de escrita pública no combate de ideias; professor há mais de trinta e cinco e tal; expulso da universidade como estudante; processado como catedrático pelo exercício da palavra em jornais e blogues. Ainda espera que neste reino por cumprir se restaure a república
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